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Resenha: O Assassinato de Gianni Versace



A série ainda aborda a relação forte nos bastidores da moda entre Gianni e Donatella com suas personalidades fortes. | Fotos: Reprodução

Quando a primeira temporada da série American Crime Story (2016), que narrou o crime cometido pelo jogador de futebol americano, O.J Simpson, responsável por assassinar a sua ex-mulher, Nicole Brown Simpson, e o garçom Ronadl Goldman acabou, eu fiquei muito ansioso para saber qual seria a próxima carta na manga do diretor Ryan Murphy. O programa apresentado pelo canal FX foi um sucesso, e ganhou várias estatuetas no Emmy Awards.

Só que eu não esperava que a segunda temporada iria abordar o assassinato de um gênio da moda, Gianni Versace, onde o ator Édgar Ramirez ficou responsável pela atuação . Até então a “história” de Versace seria pauta para a terceira temporada, mas como o burburinho em torno dela foi tão grande na época de gravações, a equipe resolveu antecipar o lançamento e pudemos assistir ao primeiro episódio em 18 de janeiro deste ano.

Penélope Cruz como Donatella Versace

Usei aspas ao falar “história” no parágrafo anterior, porque engana-se quem pensa que seria uma minissérie exclusivamente para os fashionistas amarem. Na verdade, a minissérie de 9 capítulos aborda piamente a mente psicopata de Andrew Cunanan, interpretado por Darren Criss (conhecido por Glee), assassino de Versace em julho de 1997 com dois tiros à queima roupa.

Sem querer dar muitos spoilers, a série começa logo com a morte de Gianni, e passeia por diversos flashbacks de Andrew até o dia do crime. Não existe uma ordem cronológica exata entre um episódio e outro. Além da morte de Gianni, outras 4 são abordadas no decorrer da série, crimes bárbaros cometidos por Cunanan. Na minha análise, eles conseguiram abordar muito bem diversos casos tão atuais. Primeiro, o poder por autoafirmação que temos hoje em dia através das redes sociais, além de muitas pessoas viverem presas em eternas ilusões, como vemos diariamente no Instagram. Ninguém é 100% o que publica. Isso é um fato.

Era isso que Cunanan queria e vivia. Os flashs virados para ele. Uma pessoa inteligentíssima que sabia mentir como ninguém. E foi através disso que ele conseguiu uma vida burguesa, sendo gigolô de homens mais velhos nas noites de Miami.

Darren Criss como o serial killer, Andrew Cunanan

Outro ponto forte que poderia, mas foi posto em voga muito vagamente, é o drama que os gays dos anos 90’s sofriam em relação a discriminação, além da polícia americana não dar muita atenção para eles. Havia uma indiferença. Esse seria um dos motivos para Andrew não ter sido preso? Talvez! Porque suas vítimas eram essas minorias.

No quesito caracterização, o show não deixou nada a desejar. Eles usaram a famosa casa Versace em Miami para as gravações. Ou seja, conseguiram filmar no mesmo local que Gianni foi assassinado. Hoje em dia, o local é aberto ao público, e funciona como um tipo de hotel e tem um restaurante super cool para quem quiser comer por lá.

Não tem como deixar de falar também do show de interpretação de Penélope Cruz como Donatella Versace, irmã mais nova que assumiu a marca logo após a partida do Versace mais velho. O sotaque marcado da italiana pode ser visto perfeitamente através de Penélope. O blonde hair, cigarros entre os dedos e saltos super altos, também marcaram presença na trama. Outra pessoa de peso no elenco, foi Rick Martin interpretando Antonio D’Amico, namorado do estilista.

Rick Martin como Antonio D’Amico, namorado de Versace

Diz que a Donatella verdadeira não gostou nada nada da ideia dessa série. Inclusive, a marca se pronunciou em comunicado oficial dizendo que “como a Versace não autorizou o livro em que a série é parcialmente baseada, nem participou da escrita dos roteiros, esse programa deveria ser considerado um trabalho de ficção”.

Por esse motivo, a produção não conseguiu entrada nos acervos da marca para construir figurinos, por exemplo. Tudo que foi visto durante a série, são peças vintage encontradas em brechós. A própria Donatella fez um pedido pessoal para a produção: não citar, nem caracterizar a sua única filha e herdeira majoritária da marca, Allegra. Quando o seu tio morreu, ela era muito jovem. Ele deixou praticamente tudo para ela. Allegra teve vários problemas, um deles é a anorexia. Ela tem uma vida bem privada e não aparece muito por aí.

No mais, é uma ótima dica para quem ama moda e para quem também gosta de séries que envolvem crimes. A morte de Gianni deixou o mundo todo abalado. Ele foi quem inventou as supermodels, digamos assim. Nomes como Cindy Crawford e Naomi Campbell, são eternamente gratas por Versace e todo o seu legado.

Já coloquem na lista de maratonas.